É importante para a nossa evolução e equilíbrio emocional examinarmos com atenção o nosso passado, de forma a detetarmos as crenças que têm orientado e dirigido a nossa vida.
Vamos então analisar aqui algumas dessas crenças limitantes e descobrir a sua origem:
CRENÇA LIMITATIVA: Não sou bom o bastante.
ORIGEM: Um pai que repetidamente lhe dizia que ele era burro.
Ele falou que queria ser um sucesso para o Pai poder se orgulhar
dele, porém estava assolado pela culpa, que criava ressentimento, e tudo
o que conseguia produzir era um fracasso após outro. O pai continuava
financiando negócios para ele, porém, um a um eles fracassavam. Ele
usava o fracasso para se vingar. Fazia o pai pagar, pagar e pagar.
Claro, ele era o maior perdedor.
CRENÇA LIMITATIVA: Falta de amor por si própria.
ORIGEM: Tentar ganhar a aprovação do pai.
A última coisa que ela queria era ser como o pai. Os dois não
concordavam em nada e estavam sempre discutindo. Ela só queria sua
aprovação, mas só conseguia críticas. Seu corpo estava cheio de dores,
exatamente iguais às que o pai tinha. Ela não percebia que a raiva
estava criando dores nela, como a raiva do pai criava dores nele.
CRENÇA LIMITATIVA: A vida é cheia de perigos.
ORIGEM: Um pai amedrontado.
Outra cliente encarava a vida como sendo áspera e sombria.
Tinha dificuldade em rir e, quando o fazia, ficava com medo de que
algo "mau" iria acontecer. Fora criada com a admoestação: "Não ria ou
'eles' poderão pegá-la".
CRENÇA LIMITATIVA: Não sou bom o bastante.
ORIGEM: Estar abandonado e ignorado.
Era difícil para ele falar. O silêncio tornara-se um modo de vida.
Ele acabara de se livrar do álcool e das drogas e estava convencido de
que era péssimo. Descobri que sua mãe morrera quando ele era muito jovem
e que fora criado por uma tia. Essa mulher raramente falava, exceto
para dar uma ordem, portanto ele foi criado em silêncio. Até mesmo comia
sozinho em silêncio e passava dia após dia no quarto sem fazer barulho.
Teve um amante que também era um homem silencioso e os dois passavam a
maior parte do tempo sem se falarem. O amante morreu e, mais uma vez,
ele ficou sozinho.
Exercício: Mensagens negativas
O exercício que fazemos em seguida é pegar uma folha grande de papel
e escrever uma lista de todas as coisas que seus pais disseram que
estavam erradas com você.
Quais foram as mensagens negativas que você ouviu? Dê-se tempo
suficiente para lembrar o máximo que puder. Meia hora geralmente é
bastante.
O que eles diziam sobre dinheiro? O que diziam sobre seu corpo? O
que diziam sobre amor e relacionamentos? O que diziam sobre seus
talentos criativos? Quais foram as coisas limitativas ou negativas que
lhe disseram?
Se Puder, apenas olhe de forma objetiva para essas frases e diga a si mesmo: Então, foi daí que veio aquela crença.
Agora peguemos uma nova folha de papel e vamos um pouco mais fundo. Que outras mensagens negativas você ouviu quando criança?
De parentes ------------------------------------------------
Professores ------------------------------------------------
Amigos ----------------------------------------------------
Autoridades -----------------------------------------------
Sua Igreja -------------------------------------------------
Anote todas elas. Leve o tempo que for necessário. Tome consciência das sensações que estão ocorrendo no seu corpo.
O que está escrito nessas duas folhas de papel são os pensamentos
que precisam ser removidos de sua consciência. São crenças que o fazem
sentir "não bom o bastante".
Vendo-se como uma criança

Se eu pegasse uma criança de três anos e a colocasse no meio da sala
e nós começássemos a gritar com ela, dizendo-lhe que é burra, que nunca
fará nada direito, que deve fazer isto ou aquilo, olhar para a confusão
que fez, talvez bater nela algumas vezes, terminaríamos com uma
criancinha assustada, sentada docilmente num canto da sala, ou então com
uma arrebentando todo o cómodo. Ela agirá de uma dessas duas maneiras e
nunca saberemos qual é o seu verdadeiro potencial.
Agora, se pegarmos a mesma criança e lhe dissermos o quanto a amamos
o quanto nos importamos com ela, que adoramos sua aparência e nos
orgulhamos da sua esperteza e inteligência, que ficamos encantados com
as coisas que faz e que ela pode cometer erros enquanto aprende - que
estaremos sempre do seu lado tanto nas horas boas como ruins -, o
potencial dessa criança será ilimitado.
Cada um de nós tem uma criança de três anos no nosso interior e com
frequência passamos a maior parte de nossas vidas gritando com ela.
Depois ficamos imaginando por que nossa vida não funciona.
Se você tivesse um amigo que vivesse criticando-o, gostaria de estar
sempre com ele? É possível que você tenha sido tratado dessa forma
quando criança, e isso é muito triste. No entanto, isso aconteceu muito
tempo atrás. Se atualmente você está escolhendo se tratar da mesma
forma, então é algo mais triste ainda.
Agora, bem à nossa frente, temos uma lista das mensagens negativas
que ouvimos quando crianças. Como essa lista corresponde ao que você
acredita estar errado com você? São quase as mesmas coisas?
Provavelmente sim.
Baseamos nosso roteiro de vida em nossas mensagens de infância.
Éramos todos bonzinhos e aceitamos obedientemente o que "eles" nos
disseram como sendo verdade. Seria muito fácil só culparmos nossos pais e
sermos vítimas pelo resto da vida, mas isso não teria graça nenhuma e
com toda a certeza não nos tiraria da encrenca em que nos encontramos
agora.
Culpando a família

A culpa é um dos modos mais garantidos de se permanecer dentre de um
problema. Quando culpamos alguém, estamos abrindo mão do nosso poder. A
compreensão nos permite elevar-nos acima da questão e assumirmos o
controle de nosso futuro.
O passado não pode ser mudado. O futuro é moldado pelo pensamento atual. É imperativo para nossa liberdade entender que
nossos pais estavam fazendo o máximo que podiam com a compreensão, consciência e sabedoria que tinham. Sempre que culpamos alguém, não estamos assumindo a responsabilidade por nós mesmos.
Aquelas pessoas que nos fizeram todas aquelas coisas horríveis
estavam tão assustadas e amedrontadas como você está agora. Sentiam a
mesma impotência que você sente agora.
As únicas coisas que podiam ensinar eram as que tinham aprendido.
Quanto você sabe sobre a infância dos seus pais, especialmente antes
dos dez anos de idade? Se ainda for possível, descubra mais
perguntando-lhes. Se conseguir mais informações sobre a infância de seus
pais, você entender com maior facilidade por que fizeram o que fizeram.
A compreensão resultará em compaixão. Se você não sabe e não tem como
descobrir, tente imaginar como deve ter sido. Que tipo de infância
criaria um adulto como aquele?
Você Precisa desse conhecimento para sua própria libertação. Você só
poderá se libertar depois de libertá-los. Você só poderá se perdoar
depois de perdoá-los. Se exigir perfeição deles, exigirá perfeição de si
mesmo, o que o tornará infeliz a vida toda.
A escolha dos pais

Concordo com a teoria de que escolhemos nossos pais. As lições que
aprendemos parecem combinar perfeitamente com as "fraquezas" dos pais
que temos.
Acredito que estamos todos numa viagem interminável através da
eternidade. Viemos a este planeta para aprendermos lições especiais
necessárias para nossa evolução espiritual.
Escolhemos nosso sexo, cor e país, e em seguida procuramos o casal perfeito para "refletir" nossos padrões.
Nossas visitas a este planeta são como ir a uma escola. Se você quer
ser esteticista, você vai fazer um curso de estética. Se você quer ser
um mecânico, vai para a escola de mecânica. Se você quer ser um
advogado, vai para a faculdade de direito. Os pais que você escolheu
nesta vida eram o casal perfeito de "peritos" no que você queria
aprender.
Quando crescemos, temos a tendência de apontar um dedo acusador para
os nossos pais e dizer: "Vocês me fizeram isso!" Porém, eu acredito que
nós os escolhemos.
Dando ouvidos a outros
Nossos irmãos e irmãs mais velhos são deuses para nós quando somos
pequenos. Se eram infelizes, provavelmente descontaram em nós tanto
física como verbalmente. Podem ter dito coisas como:
"Vou contar tudo o que você fez" (instigando culpa).
"Você é pequenino, não pode fazer isso”.
"Você é bobo demais para brincar connosco”.
Os professores muitas vezes nos influenciam muito. Quando eu estava
no quinto grau, uma professora me disse enfaticamente que eu era alta
demais para ser dançarina. Acreditei nela e pus de lado minhas ambições
no campo da dança até estar velha demais para começar uma carreira como
dançarina.
Você compreendeu que exames e notas eram só para ver o seu grau de
conhecimento numa época determinada ou foi daquelas crianças que
deixavam medir seu valor?
Nossos primeiros amigos compartilharam sua falta de informação sobre
a vida connosco. Nossos colegas podem caçoar de nós e deixar mágoas
perenes. Quando eu era criança, sofri muito porque meu sobrenome era
Lunney e os meninos me chamavam de "lunática".
Os vizinhos também exercem influência, não só por causa do que
dizem, mas porque também nos perguntamos: "O que os vizinhos vão
pensar?"
Pense bem nas autoridades que tiveram influência na sua infância. E,
naturalmente, existem as declarações fortes e muito persuasivas dos
anúncios na imprensa e televisão. Um excesso de produtos é vendido
fazendo-nos sentir que seremos indignos ou errados se não os usarmos.
Todos estamos aqui para transcendermos nossas limitações iniciais,
sejam quais tenham sido. Estamos aqui para reconhecer nossa própria
magnificência e divindade, não importa o que eles nos tenham dito. Você
tem suas crenças negativas para superar e eu tenho minhas crenças
negativas para superar.
Novo padrão
Na infinidade da vida onde estou, tudo é perfeito, pleno e completo.
O passado não tem poder sobre mim porque estou disposto a aprender e mudar.
Vejo o passado como necessário para me trazer até onde estou hoje.
Estou disposto a começar bem aqui onde estou agora, a limpar os cómodos de minha casa mental. Sei que não importa onde inicio, de modo
que agora começo com os cómodos menores e mais fáceis, e assim verei os
resultados rapidamente.
Sinto-me emocionado por estar no meio dessa aventura, pois sei que
nunca passarei por essa experiência em particular de novo. Estou
disposto a me libertar.
Tudo está bem em meu mundo.
Louise Hay, do livro "Você pode curar sua vida"