terça-feira, 29 de maio de 2012

Conheça-se através dos sonhos!


 Os sonhos são um poderoso instrumento de autoconhecimento e de busca pelo caminho pessoal. Observá-los com atenção, rigor e respeito (uma das funções no processo da psicoterapia junguiana) é um exercício contínuo para que possamos almejar ao amadurecimento do Ser.

Jung atribui aos sonhos cinco funções básicas:
  
1.  A primeira, a compensadora, partilhada por Freud encara os sonhos como um mecanismo psíquico para compensar desejos, frustrações e expetativas da vida, de forma a apresentar ao sonhador, por alusões, “todos aqueles pontos de vista que durante o dia foram insuficientemente considerados ou totalmente ignorados”.


  

2. A segunda função é a prospetiva. O sonho oferece indicativos diferentes daqueles que a consciência, naturalmente limitada, é capaz de captar. É a função educativa do sonho: incita à solução de conflitos, amplia a visão de forma melhorada.

 
3. A função redutiva em que os sonhos surgem como elementos questionadores, cuja função é de destituir qualquer imagem já construída na consciência sobre determinado aspeto. O efeito destes sonhos não é necessariamente aniquilador, mas funciona como um questionamento diante de ideias e conceitos frágeis.

 

4.
Os sonhos podem funcionar como respostas reativas perante acontecimentos da vida lúcida. Quando uma determinada experiência nos afeta de forma impactante, o inconsciente tende a repeti-la em imagens oníricas até que todo o conteúdo possa ser prontamente assimilado. Essa temática é bastante comum após vivências traumáticas. É como se assistíssemos a diferentes excertos do filme várias vezes até compreendê-lo por inteiro.

 
  5. A função dos sonhos mais curiosa e controversa é a que pressupõe que os sonhos podem estabelecer a telepatia. As experiências dos sonhos premonitórios, ou telepáticos, falam por si. Somente quem os tem consegue descrever o quanto o podem inspirar em fascínio ou temor.

Estes tipo de sonho são a prova máxima para que entendamos que as fronteiras do tempo e do espaço são limitadores à consciência, e não ao inconsciente que vive sob a ausência de uma linearidade de acontecimentos. A mesma lei que justifica a capacidade que temos de, em instantes, lembrarmos com nitidez de eventos ocorridos há décadas serviria para explicar as visões sobre o futuro experimentados durante o sono.